
Uma aventura no Minho
A 27 de Setembro realizamos mais uma descida em rafting do Rio Minho. Uma actividade que já faz parte do calendário do nosso actividades regular e proporciona sempre momentos únicos de contacto com a natureza. Apesar da auréola radical que possui, a descida é essencialmente um momento de lazer. E, como é uma aventura no Minho, possui, para quem estudou numa universidade o tomou por baptismo, ainda uma carga simbólica. Afinal no Minho estamos em casa.
Sendo uma actividade acessível a quase todos os escalões etários, a descida do Minho permite ainda apreciar paisagens únicas ao longo do percurso deste rio de fronteira. Podemos também constatar como o homem interagiu ali com a natureza, alterando o curso normal do rio, mas mantendo os ecosssistemas em equilíbrio. E as margens do Rio Minho são testemunhas privilegiadas dessa relação. Perdem-se a conta às pesqueiras existentes para pesca de lampreia e sável. É delas que, ainda agora, saem a maioria das lampreias para os restaurantes de Melgaço e os locais afirmam que, pelo facto de ser pescadas já longe da foz, não há lampreia igual.
Foram também estas pesqueiras que criaram condições únicas para a prática de rafting no Rio Minho. Um rio com um grau de dificuldade moderado (2 a 3 numa escala de 1 a 6), mas com um caudal que permite a prática da modalidade em quase todo o ano. E por isso são muitos os que o qualificam, juntamente com o Rio Paiva, como um dos melhores rios nacionais para a prática de rafting.
Localmente a organização da actividade foi assegurada com a colaboração da Associação Melgaço Radical, com a qual já mantemos uma relação desde as primeiras descidas e que futuramente pretendemos alargar a outras actividades. A Melgaço Radical é uma associação sem fins lucrativos, promotora de desportos-aventura, com mais de 11 anos de actividade e com uma interessante actividade de cariz social. Todos os seus monitores são melgacenses, profundos conhecedores do rio e com bastante formação. A Melgaço Radical possui as licenças de operador turístico e do Instituto para a Conservação da Natureza para o PNPG.
O ponto de encontro foi, mais uma vez, o Centro de Estágios de Melgaço. E dada a distância (1h30 de viagem sem atropelar os limites de velocidade), o dia começou necessáriamnete cedo para todos. Quando os fatos isotérmicos, botinas, capacetes e coletes de flutuação começaram a ser distribuídos ainda eram muitos os que reclamavam do tempo retirado à cama.
Equipados e distribuídos por equipas de 6 e 8, recebemos as últimas informações já junto ao rio pelo monitor de cada um dos rafts. Ao primeiro contacto com a água os mais ensonados despertaram. Algumas manobras para uma rápida aprendizagem e subimos ligeiramente. Subir? Mas afinal isto não era para descer? – alguém gritou. Não importa, pagámos foi para andar de barco – respondeu outro raft. Para testar as equipas os monitores iniciaram a descida com uma demonstração das correntes ascendentes criadas pelas pesqueiras. E contra todas as expectativas em certos locais o raft parecia contrariar a corrente. Ao longo do percurso os monitores foram ainda prestando informação sobre o rio, sobre a fauna e flora e sobre as tradições locais, conferindo-lhe também uma componente cultural interessante.
A descida foi uma sucessão rápidos intercalados de momentos mais calmos, no quais até foi possível acompanhar o raft a nado (sempre com o flutuador). Como em todas as descidas, o momento mais radical foi o salto para a água de uma altura de 6 a 7 metros. “Lá em cima é fácil hesitar antes de nos lançarmos. Um segundo de angústia, um outro de insconsciência, dois de voo, a entrada na água e deixar que o flutuador nos devolva à superfície. Depois é nadar para o nosso raft e ficar a ver a angústia dos outros a olhar o abismo” ¬ – foi assim que um participante descreveu o salto numa anterior descida – “É mais do que um salto, é um salto para o Minho.”
No final regressámos ao Centro de Estágio e após um banho retemperador seguiu-se almoço na Vila de Melgaço. No final do almoço seguiu-se a tradicional entrega dos diplomas e baptismo. A actividade terminnou com uma visita ao Solar do Alvarinho para a prova do rei dos vinhos verdes.

artigo publicado no UMDicas




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